Filho de pais separados, esperava a mãe deitado no sofá, como quem não quer nada, assistindo desenho enquanto se lambuzava comendo chips. Com cara de sono, olhava pro relógio e o tempo parecia não passar, até que a maçaneta gira e coberta pelo vestido estilo anos 90 entra a mãe e suas cobranças
- Ei garoto, já fez o que te pedi?
Levantou-se num pulo e saiu correndo, foi fazer o que a mãe tinha pedido esperando ela permitir minutos de tolerância. Doce ilusão, enquanto o fazia a mãe se dirigia ao quarto em busca da cinta.
- Garoto imprestável, eu avisei que se chegasse em casa e isso ainda não estivesse pronto você ia apanhar, não diga que não avisei!
E com a cabeça baixa, o garoto apenas se dirigia a mãe, pronto para as cintadas que lhe aguardavam.
Chorou, chorou de soluçar, mas não apenas por ter apanhado, também por ter esquecido de fazer suas obrigações. Algum tempo depois voltou à sua mãe e disse
- Pronto mamãe, está feito o que a senhora pediu, me desculpe por ser tão esquecido!
A mãe vendo a cara de choro e arrependimento da criança, envolveu-o em um abraço e pediu desculpas pelas cintadas, pediu para que ele prestasse mais atenção no que lhe é dito e repetiu o que sempre insistia em repetir.
- Amor de mãe é eterno filho, eu te amo de qualquer jeito ouviu?!
O garoto simplesmente não acreditava, e pensava consigo
- Se me ama tanto quanto diz, porque me bate?
Anos depois o garoto cresceu e foi estudar fora, sem jamais esquecer as palavras da mãe, que em momentos de esquecimento, lhe renderam boas palmadas. A mãe sente saudade do filho, a casa fica em silêncio, calma demais sem ele, e ela chora por não tê-lo mais ali.
Os anos se passaram, a mãe desenvolveu uma doença e partiu, o filho sente saudade da mãe, chora por saber que jamais vai vê-la de novo, mesmo que seja pra receber cintadas, mas se tem uma coisa que ele nunca esqueceu, é que amor de mãe é eterno. E então chorou, chorou de soluçar, não apenas pela morte da mãe, mas também por ter percebido somente agora, a falta que o amor de mãe faria em sua vida.
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